Falta de recursos Caixa
Carlos Vieira, presidente da Caixa alerta para falta de recursos no crédito imobiliário em 2025 . Em comunicado, ele disse que os recursos para o financiamento habitacional estão no limite da capacidade e destaca a importância de criar formas que reduzam o custo.

A Caixa Econômica Federal fez um alerta para a necessidade de conquistar mais fontes de recursos para a carteira de crédito imobiliário que após mais um trimestre de alta chegou a R$ 754 bilhões.
Com a redução dos depósitos na poupança que é principal fonte de recursos para a concessão do crédito imobiliário, agora enfrenta um dilema com o encolhimento nos depósitos da poupança e a maior participação de outras fontes de captações, mais caras que a poupança.
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As retiradas de recursos das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 87,8 bilhões em todo ano de 2023, segundo o Banco Central. A saída de valores da poupança em 2023, apesar de alta, foi menor que a do ano anterior – quando mais de R$ 100 bilhões deixaram a modalidade de investimentos.
Rendimento da poupança
A caderneta de poupança segue com rendimento limitado. Isso ocorre porque, com as regras vigentes, quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados).
Juros do crédito imobiliário
A Caixa tem despontado no financiamento habitacional desde o ano passado, porque, foi o único banco a manter a taxa de juros abaixo de 10% ao ano. Com taxas a partir de 10,49% ao ano, os bancos privados, que têm um saldo menor de captações via poupança, reduziram as concessões.
Segundo Carlos Vieira, presidente da Caixa, “Os recursos estão no limite da capacidade de financiamento da habitação”. O executivo disse que é preciso criar mecanismos que reduzam o custo de capital para a linha, que tem forte efeito multiplicador na economia. “Em 2024, a questão da habitação está resolvida. Em 2025, não sabemos”, disse ele.
Para impedir que o “copo fique vazio”, Vieira cobrou medidas do governo, em três frentes:
- Desenvolver o mercado secundário de crédito imobiliário;
- Estimular a participação de fundos de pensão no segmento;
- Destinar recursos dos depósitos compulsórios dos bancos à linha.
Dessas três, só a primeira está sendo resolvida, após o Ministério da Fazenda editar meditas para fomentar, por exemplo, a negociação de carteiras de imóveis pelos bancos.
A Caixa de reforçar as captações através de letras de crédito, que são remuneradas a um porcentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, a taxa cobrada pelos bancos nas transações feitas entre eles).
Recuperação dos Depósitos de Poupança
No primeiro trimestre deste ano, a Caixa conseguiu reverter a queda dos depósitos de poupança, que subiram 2,7% em um ano, para R$ 358,684 bilhões. Além disso, aumentou o saldo de Letras de Crédito Imobiliário em 69,2%, para R$ 158,225 bilhões, que passou a representar 43% do estoque desse tipo de título no mercado brasileiro.
Mesmo com as limitações, o banco libera aproximadamente 2,8 mil novos financiamentos por dia. A carteira financiada por recursos da poupança equivale a 88% dos depósitos. Esse percentual está acima dos 65% determinados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Nova fonte de recursos para o crédito imobiliário
Em uma possível fonte, a Caixa prepara uma emissão no exterior de títulos verdes, que seguem critérios sociais, ambientais e de governança (ESG, na sigla em inglês).
O valor vai depender do interesse dos investidores, disse o vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania Digital, Paulo Rodrigo. Para avaliar esse interesse a Caixa fez reuniões recentes nos Estados Unidos e no ano passado, fez sondagens na Europa aonde teve sinalização positiva .
O mercado de capitais pode exercer importante papel no financiamento imobiliário do país por meio da emissão dos títulos imobiliários tokenizados.
A tokenização de ativos viabiliza a noção de propriedade fracionada, permitindo que se compre “uma parte” de um apartamento, chalé mesmo de uma casa na praia. Isso representa uma verdadeira democratização da posse, do capital e dos investimentos.
Além de simplificar os negócios imobiliários, a tokenização reduz custos transacionais, promove maior transparência e dinamismo nos negócios, além de aumentar a liquidez dos ativos imobiliários por meio do mercado secundário.
Resultados
No primeiro trimestre, a Caixa teve lucro líquido recorrente de R$ 2,883 bilhões, crescimento de 49% em um ano. O crescimento da carteira de crédito foi o motor da alta, ao gerar mais receitas tanto com os juros das operações. Entretanto, o crédito imobiliário concentrou boa parte do crescimento – o banco público responde por quase 70% dos financiamentos imobiliários do País.
A segunda maior carteira do banco, de crédito comercial para pessoas físicas, caiu 2,7% em um ano, para R$ 133,955 bilhões. A carteira para infraestrutura teve avanço de 2,9%, para R$ 100,264 bilhões. O portfólio total da Caixa subiu 10,4%, para R$ 1,144 trilhão, no maior saldo de crédito em território nacional. A carteira total do Itaú é maior, mas parte dela vem da América Latina.
O banco público espera ganhar tração em outras linhas ao longo dos próximos meses. O vice-presidente de Finanças e Controladoria, Marcos Brasiliano, disse que após definir os limites de atuação, a Caixa deve ampliar os desembolsos para infraestrutura no segundo semestre.
“A carteira de infra chegou a R$ 100 bilhões, mas ainda está bem aquém do que o País precisa”, afirmou Brasiliano. A expectativa da Caixa é alavancar os desembolsos a partir do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um importante agente financeiro.
Para este ano, a Caixa projeta um crescimento de 7% a 11% na carteira de crédito. Para habitação, total e com recursos da poupança, a alta deve ser entre 8% e 12%, a despeito dos desafios de captação que persistem
Fonte: Folha de são Paulo


